terça-feira, 18 de dezembro de 2007

"Quando um Homem Quiser"




"Quando um Homem Quiser”



Tu que dormes a noite na calçada de relento
Numa cama de chuva com lençóis feitos de vento
Tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento
És meu irmão amigo És meu irmão
E tu que dormes só no pesadelo do ciúme

Numa cama de raiva com lençóis feitos de lume
E sofres o Natal da solidão sem um queixume
És meu irmão amigoÉs meu irmão



Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher
Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
Tu que inventas bonecas e comboios de luar
E mentes ao teu filho por não os poderes comprar
És meu irmão amigo És meu irmão
E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei

Fatias de tristeza em cada alegre bolo rei
Pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
És meu irmão amigo És meu irmão




Poema de Ary dos Santos

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

" O Espírito da Quadra"


Anda tudo louco. As ruas andam cheias de gente, tudo anda num reboliço, de um lado para o outro, toda a gente têm pressa de chegar a um sítio, não interessa onde seja, o importante é chegar. Encontrões, solavancos, mais uns apertões, mais uma corrida para apanhar a loja ainda aberta, ter atenção ao carro mal estacionado por causa da multa. E ainda temos de levar com a simpatia de todo o gente que julga que por ser Natal todos os males do mundo se resolvem porque de repente temos o “ Espírito da Quadra”. Sempre ouvi dizer esta frase nesta altura.
Mas que raio de espírito é este ???
Só nesta altura é que olhamos para o lado e vemos de facto as pessoas ???
Quer dizer o resto do ano andamos ás cegas. Colocamos uma venda nos olhos e nem sequer reparamos nos outros. O “Espírito da Quadra” penso que não será bem isto. Não são precisas prendas para agradarmos aqueles que mais amamos, muitas das vezes basta uma palavra, basta um gesto, para confortamos aqueles que mais queremos. Quando deixarmos de entender o Natal como uma quadra de consumismo em que muita gente compra tudo e mais alguma coisa (até merda ensacada, caso estivesse à venda), e se cingisse ao essencial, aquilo que verdadeiramente faz falta , ai sim teríamos o espírito da “coisa” todos os dias. Talvez assim não existisse tanta injustiça nesse mundo e aqueles que têm dinheiro pensassem que o Mundo não gira à volta dos milhões que “roubam” aqueles que produzem para lhes encher os bolsos.

Festejemos o Natal todos os dias do ano, amando, rindo, prestando ajuda, sendo solidários, lutando ao lado daqueles que sofrem porque perderam o emprego, porque estão doentes, porque estão sozinhos. Este sim é o tal “Espírito da Quadra” que eu compreendo que deve existir, o outro eu abomino cada vez mais.

O Natal dos que perdem o Trabalho


O Sol quando nasce deveria ser para todos. Assim como o Natal. Mas sabemos bem que isso não corresponde a realidade. Mais uma fabrica a fechar e o patrão a tentar deslocar a maquinaria para fora do pais. Desde a passada sexta-feira que 90 trabalhadoras de uma fabrica de confecções em Lousada estão de vigília para garantir os seus direitos.
O patrão alemão tinha mandado embalar as máquinas e cinco camiões preparavam-se para carregar o equipamento e levar tudo dali. Pela calada, Imediatamente, as trabalhadoras apareceram na fábrica. Foram informadas que acabavam de ser despedidas.

Falta de trabalho nunca existiu, existe sim a ganancia de ganhar mais e mais. Com sete outras fábricas na Tunísia, onde a mão-de-obra é mais barata, este empresário prepara com afinco o seu Natal, esquecendo estas mulheres que também são gente como ele.

Aproveitam alguns esta época para fazer as sua benfeitoria e festas de solidariedade para quem mais precisa. Mas destas mulheres ninguém se vai lembrar na noite de Natal. E sei que elas vão estar ali, a porta da fabrica, numa noite que possivelmente será fria e sem solidariedade daqueles que podem resolver o problema.

Viva a Globalização, Viva o Natal.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

O Tratrado dos Tristes

Quer queiramos quer não, existem duas Europas, a dos ricos e poderosos e a dos pobres e subjugados. Infelizmente a segunda, predominante entre os Estados membros faz com que estados como Portugal se ajoelhem aos grandes de uma Europa tecnocrata e financeira, onde os interesses sociais são levados para segundo plano. Nos Portugueses cada vez nos afastamos desta segunda vaga de europeus para passarmos a ser, qualquer dia, uma região deste vasto estado que pretendem criar, o estado federalista. Perdemos soberania, poder de decisão, estamos aos poucos a perder a nossa identidade cultural e ate humana, para nos tornarmos igual aos outros neste grande emaranhado de países de "Fast-Food" que querem fazer desta UE.
Este tratado agora assinado é sem duvida um péssimo exemplo da forma como a Democracia é encarada pelas cúpulas da União Europeia. Contornar a vontade popular numa questão desta envergadura mostra até que ponto a União Europeia é uma coisa e a Europa é outra, completamente diferente. Cada vez mais as decisões referentes à nossa vida são tomadas por um conjunto de burocratas mais ou menos desconhecidos e que se guiam por uma filosofia (chamemos-lhe assim) obscura e ditada ao sabor dos interesses dos grandes países europeus, nomeadamente a França e a Alemanha.Não estou a ver bem como tudo isto irá acabar mas, com o tempo, esta União dos eurocratas irá definhar e morrer de morte mais ou menos natural. Disso podem estar certos. O povo a seu tempo vai abrir os olhos.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

"Milagres " em Cuba



Quem viu não ficou indiferente. A reportagem dada ontem na TVI sobre uma Clínica de Reabilitação em Cuba foi elucidativa de como se devem tratar pessoas que por muitas e variadas razoes são "diferentes" das demais. São muitos os estrangeiros que a procuram e cada vez mais os portugueses recorrem a ela para tentar minorar as deficiências de muitas das nossas crianças e também alguns adultos. Muito trabalho dedicação e muito, muito amor foi o que mais me transpareceu daquela reportagem.
Só gostava de perceber se eles o conseguem, porque os outros países não o fazem ??? Foi muito emocionante para mim ver um verdadeiro "milagre". Vi meninos que entraram sem andar e saírem pelo seu próprio pé, vi crianças que não comiam pela boca, que ate ai eram alimentadas por sondas, a comerem. Senti emoção e muito respeito por aquele conjunto de pessoas que trabalham afincadamente na recuperação destas pessoas.Agora verifiquei também que o Estado Português não comparticipa na ajuda a estes pais que com sacrifícios muitas das vezes recorrendo há caridade, levam ate Cuba os seus filhos na esperança de uma recuperação.
Interrogo-me se nos países ditos de civilizados e avançados as crianças por exemplo com paralisia cerebral se são de facto tratadas. Os estados não ligam ou não querem ligar, ou melhor não estão para gastar dinheiro no tratamento. Mas para quem tem um filho/a com este tipo de deficiência luta muito para dar a melhor qualidade de vida a estas crianças. Era muito bom que os bons exemplos fossem seguidos e os Estados não ambicionassem o lucro com a saúde como acontece aqui em Portugal e pelo mundo fora.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

A "Arte" de Dizer Mal


Um blogue serve, essencialmente, para dizer mal. Uns mais que outros (e venha cá aquele que não gosta de dizer mal). Mas, como estamos tão habituados a ouvir falar mal de tudo, torna-se difícil ser original. Dizer mal, não é, infelizmente, uma opção. Ou melhor, é uma opção, mas irrecusável. Por muito que não se queira, não se consegue deixar de dizer mal. Claro que existem aqueles portugueses que dizem mal de tudo. É algo genético, dominante, embutido e aperfeiçoado de geração em geração. Aliás, se o povo português, não dissesse mal, faltava-lhe assunto. E por isso, engordava. Deixava de ir à missa. Mas se continuamos a escrever para dizer mal, isso acontece porque temos motivos para isso. Somos de extremos, umas vezes adoramos o nosso cantinho e colocamos bandeiras na janela, outras detestamos o fado que carregamos dos nossos antepassados. Mas dizer mal continua a ser uma arte.
Nos meus Posts continuo a dizer mal do Sr. Sócrates e a cascar nos políticos que temos, porque infelizmente são um bando de mentirosos, falsos e aldrabões. Quando chegam ao poder esquecem aquilo que prometem ao povo e fazem aquilo que muito bem lhes apetece, não para bem de todos mas só de alguns.
Enquanto existir gente desta laia vou dizer mal.
Mas depois existem os outros que durante " uns minutos " , passam a ver Portugal como o melhor país do mundo, sem compreender como alguém pode dizer mal de um país com pessoas tão maravilhosas e acolhedoras, com tão bom futebol, comida, clima e vinho bom. Mas isso por pouco tempo, porque depois começam a dizer mal também. Gostava de saber onde estão aqueles que votaram na "mãozinha".
Agora ninguém votou neles. Eu pelo menos conheço poucos. Será que imigraram ????

Pena de Morte

Sempre fui e sempre serei contra a pena de morte. Acho que as sociedades evoluem e como tal esse tipo de condenação não deveria existir. A justiça dos homens falha muitas das vezes prendem-se inocentes, enquanto que os verdadeiros criminosos continuam a monte. Muitos países ainda usam este tipo de condenação. Nos EUA muitos Estados a praticam. Infelizmente quem não tem dinheiro nunca pode provar inocência e muitas das vezes paga injustamente por crimes que não cometeu. Como este ultimo caso conhecido.
Um homem de 55 anos foi absolvido por um júri de Chittanooga, no Tennessee, após ter passado mais de 15 anos no corredor da morte por um homicídio que não cometeu. Michael McCormick foi condenado à morte em 1987 pelo homicídio de Donna Jean Nichols, uma jovem de 23 anos morta a 14 de Fevereiro de 1985 quando saía de uma discoteca, e cujo corpo foi encontrado no parque de um centro comercial. Após anos de batalha jurídica, o primeiro processo acabou por ser anulado. Testes de ADN efectuados em cabelos encontrados pelos investigadores, um elemento de acusação essencial no primeiro processo, permitiram demonstrar que estes não pertenciam a McCormick. Segundo as imagens de uma cadeia de televisão local, McCornick, ao ouvir o veredicto, ficou estupefacto durante alguns minutos e acabou por se abraçar aos seus advogados lavado em lágrimas.
E se a condenação já tivesse sido feita, quem daria vida a este homem.