sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Os números da Guerra


Segundo uma investigação levada a cabo pela CBS News os números oficiais apresentados pelas autoridades dos EUA quanto ás baixas entre os soldados Norte-Americanos é falsa. Os números apresentados pelas autoridades contabilizam cerca de 4 mil vitimas desde 2003 quando o numero é muito superior, mais de 15 mil soldados morreram em consequência do conflito. São números que são omitidos pela administração Bush. Outro dado não menos importante é o facto de os suicídios entre os veteranos de guerra ascender a 6256 indivíduos. São jovens entre os 20 e os 24 anos. As deserções aumentaram mais de 80%. Mais de 5000 jovens deixaram o serviço militar.

Segundo os cálculos dos eleitos democratas do Comité Económico do Congresso, revelados a semana passada pelo Washington Post, as guerras já custaram em média a cada família norte-americana 20 mil dólares.

Para chegar a este valor, o Comité teve em conta o que chamou os «custos ocultos da guerra», os quais incluem os efeitos nos orçamentos familiares da subida do preço do petróleo, as despesas dos tratamentos dos feridos e mutilados, e os juros pagos sobre os créditos de guerra.Assim, dizem os democratas, os custos das guerras promovidas pela administração Bush no Iraque e no Afeganistão não totalizam 804 mil milhões de dólares, mas sim 1500 mil milhões de dólares.Cada vez mais existem mais pobres nos EUA, ao passo que a grande burguesia alimenta taxas de lucro fabulosas com a economia da guerra, milhões de norte-americanos não dispõem de rendimento suficiente para responder às mais básicas necessidades.Segundo um estudo do Departamento de Agricultura e o Instituto Nacional dos Censos dos EUA, cerca de 35 milhões de norte-americanos, 12 por cento da população do país, não possuem quaisquer recursos para se alimentarem quando estão desempregados, situação particularmente grave entre os adolescentes e as mães solteiras, subgrupo que totaliza quase 14 milhões de pessoas.

Os dados do Centro Americano para o Progresso (CAP) são ainda mais alarmantes na medida em que afirmam que um em cada oito cidadãos, 12,5 por cento da população, 37 milhões de seres humanos, sobrevive na mais absoluta miséria. Esta é a maior "Democracia" do mundo, onde muitos dos políticos Portugueses se revêem. Estas são algumas das vantagens de uma sociedade Capitalista.

A Rua da Polémica


Li esta semana no "Jornal Avante" uma noticia que me deixou preocupado. Em Aveiro na rua mais movimentada da cidade ( Rua Homem Cristo), junto ao Novo Centro Comercial, onde ao longo de muitos anos os comunistas distribuíram propaganda e fizeram bancas, vêm agora uns senhores seguranças constantemente importuna-los pelo facto de ali estarem. E dizem mais, que é proibido fazer propaganda politica ali pois apesar de a rua ser publica, fora arranjada por eles e era para a circulação dos seus clientes. Não fosse a insistência e não aceitação destas "ordens" vindas dos seguranças do Centro Comercial, que depois de chamarem a policia se vêm confrontados com a resposta habitual dada pelas autoridades," Os senhores podem estar aqui á vontade". Mas o que mais me indignou foi saber que os camaradas estiveram a semana passada nessa mesma rua e os seguranças desse mesmo estabelecimento tiveram a lata de ir pedir um exemplar do Avante para assim fazerem um "RELATÓRIO". Ao que chegamos, parece que voltamos novamente ao antes do 25 de Abril onde os comunistas eram perseguidos pelas suas actividades, e onde existiram tantos e tantos Relatórios contra tanta e boa gente. Fica aqui só uma chamada de atenção para o facto de as liberdades e garantias dos cidadãos estarem cada vez mais a ser postas em causa, e dizer que depois de nos calarem nos órgãos de comunicação social querem calarmos na RUA como que se não existíssemos. Mas isso descansem que não vai acontecer. A RUA É NOSSA E SEMPRE O SERÁ, QUER ELES QUEIRAM OU NÃO.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Hugo Chavez e o Referendo


Sobre Hugo Chavez muito se têm falado e pelos vistos ainda mais se falará. Mas gostaria de focar alguns pontos que a mim me parecem importantes. É um facto que existe neste momento uma proposta para alterar a Constituição Venezuelana já aprovada pelo parlamento, e que em primeira leitura pretende estabelecer um " modelo socialista". Esta proposta vai ser referendada agora em Dezembro. São muitos os pontos a alterar. No fundo tem como objectivo primeiro o reforço do poder do estado sobre a economia e o fim da autonomia do Banco Central. Reforça dos direitos sociais das pessoas: o dia de trabalho passa a ser no máximo de seis horas, passarão a receber ordenado as donas de casa. No que respeita á saúde esta passara a ser gratuita para todos, assim como a escolaridade ( que em parte já o são hoje em dia), etc, etc.

Existe no entanto um ponto, talvez o mais importante para todos aqueles que se opõem a estas medidas que é a possibilidade de o presidente se apresentar indefinidamente à presidência, cujo mandado passaria de de seis para sete anos. Nunca concordei com qualquer espécie de ditadura venha ela de esquerda ou de direita, também não sou muito favorável a um populismo fácil, mas queria lembrar que nestas ultimas eleições para as legislativas todos os partidos da oposição boicotaram as mesmas não se apresentando ao sufrágio preferindo fazer manifestações "gigantes" na rua, dizendo que estas não estavam a ser livres. Mas não foi isso que a comunidade internacional achou , quer os observadores da União Europeia, quer o dos EUA, e não crio que eles estejam a fazer algum favor ao Chavez dizendo isso. Mas levando em conta que estamos a falar de um país que se encontra situado na América Latina, onde só há muito pouco tempo a esta parte as democracias estão a chegar, gostaria de referir este contraste, o não se falar por exemplo do que aconteceu agora na Argentina em que o casal presidencial se reveza, Cristina Kirchner venceu as eleições presidenciais, antecedendo o seu marido. É um pouco complicado para mim entender estes dois pesos e duas medidas, não sei bem qual é a diferença. Bem eu sei qual é. De um lado está com o poder económico e do outro está o oposto. Eles pelos vistos vão poder escolher. E nós ???

terça-feira, 20 de novembro de 2007

"Por qué no te callas" Rei


Esta semana o programa semanal da RTP "Prós e Contras" foi alusivo á celebre frase do Rei de Espanha atirada para o Presidente Hugo Chávez em plena conferência Ibero-Americana. Fátima Campos Ferreira convidou dois espanhóis (que falavam espanhol e tudo, até parecia que estava a ver a TVE) para o debate. Agora parece que somos obrigados a entender a língua de Cervantes, enquanto que eles dizem sempre "que no te entendo", pelos vistos nós temos de os entender. Tirando a animação do debate feita por estes nossos "irmãos" ibéricos, os convidados portugueses, esses coitadinhos, estudaram todos pela mesma cartilha, não ouve direito ao contraditório. A opinião foi unânime: Chávez é um ditador e o Rei e Zapatero são os democratas. Não estou a por em causa o direito do povo Espanhol em ter uma Monarquia que até foi sufragada nas urnas, nem tão pouco a legitimidade de PSOE de Zapatero governar a Espanha, visto ter sido este o partido vencedor, o que ponho em causa é estes senhores não reconhecerem o mesmo sentido democrático que tiveram os Espanhóis em escolher livremente os seus governantes não o fazerem em relação ao povo da Venezuela, já que as eleições foram livres e justas com a agravante de na Venezuela estarem a ser sempre supervisionadas por organismos internacionais. Só dizer mais uma coisinha, Chávez talvez seja o presidente em exercício que mais eleições disputou e que as ganhou democraticamente, mesmo com muita ingerência de muitos outros países e da CIA á mistura. Por algum motivo o povo está com ele e lhe dá assim tanto apoio.

Será por causa da distribuição da riqueza que ele têm feito no seu país ?

Será pela melhoria substancial dos cuidados de saúde que presta ao seu povo?

Será por ter dado ao povo a possibilidade de ter um ensino verdadeiramente gratuito para todos ?

Será porque as condições de vida da maioria dos Venezuelanos estão a melhorar ?

Todos os indicadores dizem que sim, quer em termos económicos quer em termos sociais. Esta será talvez a grande obra de Chávez.
Deve ser por causa deste modelo de sociedade, que anda a meter medo a muita gente, que os ocidentais e neste caso os antigos colonizadores têm tanto receio.

Daqui na língua de Camões te digo " Cale-te tu " e vai mas é velejar para o mar alto.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Vá se lá Saber Porquê.


Os Chineses andam na boca nos nossos governantes. Começou pelo Presidente da Câmara Municipal de Lisboa o Ex Ministro António Costa ao dizer que nem que cada Chinês desse 1 euro a divida da CML ficaria paga. Depois o nosso Presidente da Republica na sua visita de estado ao Chile comete uma gafe gravíssima, chama de Chineses aos Chilenos( bem já não foi o 1º Presidente a fazê-lo, Jorge Sampaio a quando da sua visita ao Chile lhes tinha chamado de Cubanos). Isto tudo para dizer que os nossos governantes devem andar com os olhos em bico pois só pensam em chineses. Deve ser porque estão com medo de alguma invasão do nosso território, já que eles segundo se diz não morrem, pelo menos aqui no nosso país não existem registo de óbitos. Será que vivem eternamente ??? Deve de ser por isso que eles são tantos.
Mas estou a achar de mais, tanta referencia a este povo. Será que estes senhores querem copiar o modelo económico da China ???
Cada vez mais este país se está a tornar uma sociedade onde o capitalismo selvagem impera e onde o povo sofre com a exploração de empresas multinacionais que se vão instalando, pagando aos seus empregados ordenados de miséria e fazendo trabalhar esta gente como autênticos escravos. Baixos salários, alta produtividade (segundo o que dizem). Aquilo de comunismo não têm nada, a avaliar pelas monstruosas fortunas que certos homens de negócios estão a acumular. Será que é este o modelo que os nossos governantes querem aqui para Portugal. Bem o nosso Ministro da Economia já tinha referido que a nossa economia tinha de competir com a dos Chineses. Ele estaria a referir-se aos baixos salários ??? Pois por este andar talvez sejamos competitivos mesmo com eles, pois em termos Europeus já o somos.

Eu, pelo sim e pelo não continuo a não gostar da comida chinesa. Vá se lá saber porquê.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Crise ??? Só mesmo para os Trabalhadores.



Isto é que o Sr. Primeiro ministro não diz no debate do orçamento : Lucro dos cinco maiores bancos soma 2200 milhões de euros até Setembro de 2007.
Os cinco maiores bancos a operar em Portugal obtiveram lucros de 2204,8 milhões de euros nos primeiros nove meses deste ano, mais 13 por cento que em igual período de 2006. E estas contas são só até Setembro deste ano, ainda faltam mais 3 meses até á sua finalização.
Pergunto onde está a crise para estes senhores ???
Então só nos os desgraçados é que temos de apertar do cinto e pagar o tal maldito défice ???
E porque não fazer aqueles que apresentam lucros tão gigantescos pagar mais impostos sobre esses mesmos lucros???



Aqui ficam os números:

- CGD 675 milhões de euros

- BES 487,8 milhões de euros ( mais 60% que em igual período do ano passado).

- Santander Totta 388,3 milhões de euros

- BPI 249,4 milhões de euros

- BCP 403,7 milhões de euros

Estes são os números, são reais não são ilusão de óptica. Os impostos cobrados pelo estado nem de longe nem de perto chegam aos valores cobrados a uma pequena e média empresa que paga mais de 40% de IRC sobre os lucros, os bancos ficam-se por uns míseros 25% ( e diga-se que só a CGD é que declara com exactidão os seus números, os outros como sabemos fazem as tais negociatas em offshores como por exemplo o da Madeira e tantos outros).
É esta a justiça social dos governos que passaram em S. Bento, tanto do PPD/PSD como por este governo dito de socialista que ainda consegue dar mais fortuna a quem já tanto têm e nada dá a quem tanto precisa. Pelo contrario esta história do défice, quem a está a pagar são precisamente aqueles que nada têm, as classes mais desfavorecidas e a classe média, que praticamente deixou de existir.

Tenha vergonha Sr. Primeiro Ministro e deixe de andar a apregoar aos quatro ventos que está a governar para os portugueses. O Sr. de facto governa é para meia dúzia de capitalistas que esfregam as mãos de contentes com a sua governação.

Jerónimo de Sousa sem papas na lingua



Deixo aqui um excerto do discurso de Jerónimo de Sousa na sua intervenção sobre o Orçamento Geral do Estado ao questionar o Primeiro Ministro sobre os assuntos que de facto interessam aos portugueses.


"Senhor Presidente,
Senhor Primeiro-ministro
Senhores e Senhoras Deputadas,
Espantoso. Numa das maiores encenações dum espectáculo virtual previamente preparado. Aqui estamos entre galerias cheias, luzes estonteantes e petardos de pólvora seca e ver um dullo pívio e que bem pode ter como epílogo, algures nos passos perdidos a repetição da cena do Primeiro Ministro satisfeito com um ex-primeiro Ministro e um off a dizer a famosa frase.Porreiro Pá!!!
Diluídas e silenciados serão as malfeitorias dum Orçamento que expressa a persistência dum caminho de injustiças e desigualdades sociais, de abandono do necessário crescimento económico e do emprego!O senhor primeiro-ministro apresentou-se aqui, com o que pensa ser a sua coroa de glória – a redução do défice. Não disse foi à custa de quê e de quem o consegui. Qual foi o preço que o país pagou e se se justificava pagar tal preço. Esqueceu-se de referir que foi à custa do emprego, dos salários da administração pública e dos demais trabalhadores, do corte nos direitos dos portugueses e das funções sociais do Estado, nomeadamente na saúde e na educação. Esqueceu-se de referir que foi à custa do aumento dos impostos indirectos, como o IVA, que penaliza o consumo das camadas populares. E não disse que os poderosos, as grandes fortunas, o capital financeiro e os grandes grupos económicos, não só não pagaram nenhum preço, como engordaram os seus lucros e privilégios.Com tanto auto elogio, como explica que tenhamos o doloroso título de país europeu com mais injustiça social?Esqueceu-se de dizer que foi à custa de incontáveis sacrifícios das camadas populares do povo, os únicos que pagaram a factura da estratégia errada do seu governo e das suas opções políticas, que em vez de aproveitar os prazos mais alargados do Pacto de Estabilidade para relançar a economia com mais vigor e fazer recuar o desemprego fez o contrário penalizando ainda mais os portugueses. Em relação aos impostos é a injustiça fiscal que prossegue. É um novo agravamento dos impostos para os reformados. As reformas passam a ser tributadas a partir de 6000 euros ano. Sempre a puxar para baixo quem já pouco tem!Entretanto os benefícios fiscais para offshore da Madeira aumentam de 1000 milhões em 2007 para 1780 milhões em 2008. Mais 780 milhões. Dão-se de “mão beijada” milhões de euros ao grande capital e vai-se penalizar quem conta os cêntimos nas suas reformas e pensões, enquanto os salários da administração pública continuam também a marcar passo e o custo de vida a aumentar em resultado do sistemático aumento dos bens alimentares, como é o caso do pão que este ano já subiu 20%, da energia, como é caso da electricidade com aumentos superiores aos da inflação e de outros bens e serviços essenciais. Tudo sobe acima da inflação prevista, menos os salários as pensões e reformas.No âmbito deste Orçamento vamos propor que a taxa normal do IVA seja no imediato reduzido para 20% e em 2009 para 19%. Medida que se justifica por razões de dinamização económica do mercado interno, também por razões sociais, já que são os produtos de consumo popular e classes populares as mais afectadas com os aumentos do imposto. Dramatiza-se o défice para cortar nos salários e nos direitos das pessoas, mas nem um tostão corta, antes se acrescenta, nos benefícios fiscais que permitiria reduzir o tão empolado défice. "